fogo
Desde
a Antiguidade, o fogo é considerado um dos quatro elementos da Natureza e um
dom altamente apreciado, pelas diversas culturas e povos.
Além
dos seus múltiplos – e alguns perigosos – usos práticos, o fogo assume, nas
culturas, muitas vezes, a -imagem simbólica do amor, do ódio, da vida, da
destruição, da purificação.
Na
Bíblia, com frequência, é símbolo da presença purificadora e «terrível» de
Deus: «O Monte Sinai todo ele fumegava, porque o Senhor descera sobre ele no
meio do fogo» (Ex 19,18; cf. em Ex 3, a visão da sarça ardente por Moisés).
Outras vezes significa o juízo de Deus ou o seu castigo eterno.
No
Pentecostes, o Espírito de Deus também atuou, em forma de línguas de fogo,
transformando a primeira comunidade. O fogo foi sempre um dos símbolos mais
expressivos da atuação do Espírito: «como o fogo transforma em si tudo o que
atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete
ao seu poder» (CIC 1127; cf. 696).
Na
nossa Liturgia, além das lâmpadas e das velas, relacionados com o fogo, aparece
este simbolismo na Vigília da noite de Páscoa, com a fogueira da qual se vai
acender o novo Círio, símbolo de Cristo. Na dedicação das igrejas, há um rito
expressivo: sobre o altar coloca-se um braseiro, acende--se o fogo, e sobre ele
se queima o incenso, significando que sobre esse altar, quando se celebrar o
sacrifício pascal de Cristo, nele atuará o Espírito, transformando o pão e o
vinho e, de seguida, a comunidade, que participe nesse sacrifício.
Também
aparece expressivo o simbolismo do fogo, quando, em lugar da inumação ou
enterro, se pratica, com espírito cristão, a cremação ou incineração.
Sublinha-se assim, como já o fazem outras culturas, a força purificadora da
morte e do juízo definitivo de Deus, assim como a oferenda sacrifical do
próprio corpo diante de Deus.
