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Dedicação

Dedicação


Dedicar significa consagrar, destinar um lugar ou um objecto para o culto sagrado. Dedicação é o rito litúrgico solene, reservado em princípio ao bispo, pelo qual uma igreja ou um altar ficam consagrados e destinados ao culto divino.
No AT, encontra-se o costume de consagrar, por exemplo, estelas (cf. Gn 28,18: Jacob unge a pedra que lhe serviu de almofada na sua visão), altares (vários exemplos, no livro de Números, 7) e, sobretudo, o Templo (em 1Rs 8, a grande festa no tempo de Salomão). Mais tarde, os Judeus estabeleceram a festa de Hanukkah, no aniversário da Dedicação do Templo, no tempo dos Macabeus, para reparar a profanação da parte dos pagãos (cf. 1Mac 4).
Quando, a partir do século IV, os cristãos passaram a construir as suas igrejas, foram-nas consagrando solenemente, com ritos e textos que se foram desenvolvendo, ao longo dos séculos, como o refletem os Pontificais, por exemplo, o Romano-Germânico do século X e o Pontifical Romano de Trento (1595).
Foram surgindo também festas anuais, em recordação das dedicações mais significativas: a de Santa Maria Maior, em 5 de Agosto; a da Basílica de Latrão, em 9 de Novembro; e a de S. Pedro e S. Paulo, em 18 do mesmo mês. Também é costume celebrar-se o aniversário da dedicação da própria igreja e, em cada diocese, da própria catedral.
Recomenda-se que as igrejas sejam sempre dedicadas, sobretudo, as catedrais e paroquiais. As outras devem ser, pelo menos, benzidas. O mais indicado é que a dedicação ou bênção seja feita pelo bispo da própria diocese. O novo livro litúrgico, Ritual da Dedicação da Igreja e do Altar (edição típica latina de 1977, e portuguesa de 1990), é o usado, presentemente, para estas celebrações cheias de simbolismo: a igreja/edifício é um símbolo expressivo da igreja/ /comunidade e também da «igreja» do Céu.
Os traços característicos da dedicação de igrejas, após a entrada solene com aspersão e a proclamação da Palavra, são as ladainhas, a oração consacratória, a unção do altar e das paredes, a sua incensação e iluminação e, sobretudo, a celebração da Eucaristia.
Também se dedicam os altares. Os que são móveis – que não estão assentes ou erigidos, de forma definitiva, no solo – só se benzem, mas os fixos recomenda-se que se dediquem, seguindo o Ritual próprio. Também aqui os elementos mais característicos são a oração consacratória, as unções, a incensação e a iluminação, a deposição das relíquias de mártires, se existirem, debaixo do altar e a celebração da Eucaristia.
O altar e a igreja só se dedicam a Deus. Mas, segundo o costume, também podem ser titulares de uma igreja a Virgem ou os Santos, embora as suas imagens não devam estar sobre o altar.