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Uso do Incenso no Evangeliário

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O Significado do Uso do Incenso no Evangeliário



Entre os muitos detalhes da liturgia que passam despercebidos, existe um gesto profundamente rico de significado: o uso do incenso diante do Evangeliário antes da proclamação do Evangelho.

Não se trata de um simples enfeite litúrgico.
Nem de uma solenidade vazia.

A Igreja incensa o Evangelho porque reconhece ali a presença do próprio Cristo que fala ao seu povo.

Quando o diácono ou sacerdote toma o Evangeliário e o incensa, a liturgia nos ensina algo essencial:
a Palavra de Deus não é apenas um texto antigo.
É Palavra viva.
É voz divina.
É Cristo anunciando novamente o Reino no meio da assembleia.

O incenso, desde o Antigo Testamento, está ligado à honra, à adoração e à presença de Deus.

No templo de Jerusalém, a fumaça do incenso subia como sinal da oração do povo que se elevava ao Céu. Por isso o Salmo proclama:

“Suba à tua presença a minha oração como incenso.” (Sl 141,2)

Na Missa, esse simbolismo alcança uma profundidade ainda maior.

Antes do Evangelho, a assembleia se coloca de pé.
Há aclamação.
Há canto.
Há solenidade.

Tudo isso prepara os corações para um encontro.

Então o incenso sobe diante do Livro dos Evangelhos.

É como se a Igreja inteira dissesse:
“Senhor, reconhecemos que Tu estás falando.”

Liturgicamente, este gesto manifesta a dignidade única do Evangelho dentro da Liturgia da Palavra.

Todas as Escrituras são inspiradas por Deus.
Mas o Evangelho ocupa um lugar central porque nele contemplamos diretamente as palavras e ações de Cristo.

Por isso:

  • o Evangeliário pode ser levado em procissão;

  • é colocado sobre o altar;

  • recebe honra especial;

  • é incensado solenemente.

Há também um profundo ensinamento espiritual nesse rito.

Em um mundo cheio de vozes, opiniões e ruídos, a liturgia nos recorda que existe uma Palavra acima de todas as outras.

A Palavra de Cristo merece honra.
Merece escuta.
Merece silêncio interior.

O incenso diante do Evangelho também questiona nossa própria disposição:
escutamos a Palavra apenas com os ouvidos ou com o coração?

Muitas vezes ouvimos o Evangelho distraídos, cansados ou apressados.
Mas a liturgia insiste:
“Prestem atenção. Deus está falando.”

Pastoralmente, esse pequeno gesto educa a comunidade para o sagrado.

Ele ensina que a Missa não é uma reunião comum.
Não estamos apenas ouvindo uma leitura.
Estamos diante de um acontecimento espiritual.

Cristo continua falando à sua Igreja.

E talvez o maior desafio do nosso tempo não seja apenas ler mais a Palavra de Deus.
Mas voltar a escutá-la com reverência, temor santo e disponibilidade interior.

Porque uma comunidade que perde o assombro diante do Evangelho corre o risco de ouvir a Palavra sem deixar-se transformar por ela.

Quando o incenso sobe diante do Evangelho, a Igreja nos lembra silenciosamente: Deus ainda fala ao coração do seu povo.